Trabalho em altura: subestimar os riscos pode ser fatal

Trabalho em altura: subestimar os riscos pode ser fatal

Cotidianamente, profissionais de diversas áreas, como soldadores, limpadores de janelas e carpinteiros, têm em seu cotidiano o trabalho em altura. Portanto, esses trabalhadores estão cientes dos perigos e geralmente tomam medidas para se proteger de uma queda.

Não à toa, existem Normas Reguladoras, como a NR 35, que dispõe sobre os trabalhos realizados em alturas. Assim, toda e qualquer atividade executado em desnível acima de 2 metros acima do piso é considerado trabalho em altura.

O mesmo acontece quando o trabalho é realizado próximo a valas com profundidade maior que 2 metros. Pois, mesmo que o profissional não suba em qualquer estrutura, a existência do desnível é independente.

Mas, é extremamente comum que, além das possíveis situações no próprio local de trabalho, que podem aumentar o risco da queda, também exista o perigo do habituar-se ao risco. Situação muito frequente na maioria dos casos. 

O perigo da habituação do trabalho em altura

Paradoxalmente habituar-se aos riscos depois de algum tempo, pode fazer você correr ainda mais riscos. Isso acontece porque as pessoas se sentem confortáveis, se adaptando ao trabalho em altura. Assim, o foco é desvirtuado, ao invés da prevenção a realização de um trabalho mais rápido é colocado à frente.

O pensamento é simples, nada aconteceu até hoje, tornando o trabalho algo natural.  No entanto, a pessoa já realiza seu trabalho há tanto tempo, quem vai dizer que algo pode dar errado?!

O hábito é o principal vilão nesses momentos. Por exemplo, o fato de estar confortável em realizar um trabalho em uma situação de risco. Classificar uma altura inofensiva e considerar equipamento de proteção contra quedas desnecessário, são equívocos que podem custar vidas.

A única maneira de combater essas ações é conscientizando os trabalhadores em altura da importância da proteção contra quedas e os perigos que correm ao não obedecerem às regras normatizadas pela Norma Regulamentadora 35.

Entretanto, o treino é indispensável!

O treinamento é uma ferramenta crucial para garantir a segurança contra quedas dos trabalhadores. Durante os treinamentos os riscos e perigos são destacados novamente. Além disso, os trabalhadores recebem atualização dos procedimentos em proteção contra quedas e como usá-lo adequadamente.

O poder da repetição ajuda os trabalhadores a evitar que se tornem descuidados. A não esquecer elementos importantes do uso adequado da proteção contra quedas. E a não subestimar os perigos do trabalho em altura.

Análise de Risco

  • Outras formas de manter o trabalhador ciente dos riscos ao trabalhar em altura é realizar uma Análise de Risco antes de iniciar qualquer trabalho. Após essa avaliação, a medida de segurança necessária será seguida e aplicada.

Obrigações do Empregador, de acordo com a Norma Regulamentadora 35 

  • Garantir a implementação das medidas de proteção estabelecidas na Norma;
  • Assegurar a realização da Análise de Risco – AR e, quando for aplicável, preparar a Permissão de Trabalho – PT;
  • Desenvolver procedimento operacional para as atividades rotineiras que envolvam trabalho em altura;
  • Assegurar a realização de avaliação prévia das condições no local do trabalho em altura, pelo estudo, planejamento e implementação das ações e das medidas complementares de segurança aplicáveis;
  • Adotar as providências necessárias para acompanhar o cumprimento das medidas de proteção estabelecidas na Norma pelas empresas contratadas;
  • Garantir aos trabalhadores informações atualizadas sobre os riscos e as medidas de controle;
  • Garantir que qualquer trabalho em altura só se inicie depois de adotadas as medidas de proteção definidas na NR 35;
  • Assegurar a suspensão dos trabalhos em altura quando verificar situação ou condição de risco não prevista, cuja eliminação ou neutralização imediata não seja possível;
  • Assegurar que todo trabalho em altura seja realizado sob supervisão, cuja forma será definida pela análise de riscos de acordo com as peculiaridades da atividade;
  • Assegurar a organização e o arquivamento da documentação prevista nesta Norma.

Obrigações do Trabalhador, de acordo com a Norma Regulamentadora 35

  • Cumprir as disposições legais e regulamentares sobre trabalho em altura, inclusive os procedimentos expedidos pelo empregador;
  • Colaborar com o empregador na implementação das disposições contidas nesta Norma;
  • Interromper suas atividades exercendo o direito de recusa, sempre que constatarem evidências de riscos graves e iminentes para sua segurança e saúde ou a de outras pessoas, comunicando imediatamente o fato a seu superior hierárquico, que diligenciará as medidas cabíveis;
  • Zelar pela sua segurança e saúde e a de outras pessoas que possam ser afetadas por suas ações ou omissões no trabalho.

Treinamento NR 35

Para ajudar na conscientização e treinamento sobre os riscos do trabalho em altura, conheça o Treinamento NR 35. Ou seja, um programa intensivo que abrange uso, seleção e instalação de equipamentos de proteção contra quedas (coletivo/SPCQ e individual/SPIQ).

O treinamento também aborda as normas (nacionais e internacionais) relevantes de proteção contra quedas e a identificação de erros. Assim, combinados com a configuração de prática de sistemas de proteção contra quedas, esses componentes são extremamente úteis. Isso porque oferecem conhecimento útil dos elementos essenciais de um programa de proteção contra quedas.

Em primeiro lugar, o curso inclui sessões em sala de aula e exercícios práticos. Posteriormente, são aplicados testes escritos e práticos, garantindo melhor compreensão dos princípios apresentados.

Este treinamento tem como principal objetivo aprimorar técnicas para a realização de trabalho em altura de forma segura. Também trabalha técnicas de resgate por meio de ferramentas de pré-engenharia. Assim, auxiliar na tomada de decisões e gerenciamento de riscos durante atividades de emergência e salvamento.

Conteúdo e Certificação – Trabalho em Altura

O conteúdo programático do curso é constituído por temas da área, por exemplo:

  • Gestão de Risco
  • Noções básicas de Resgate Industrial;
  • Acidentes típicos em trabalhos em altura;
  • Aspectos e conteúdos da NR35, OSHA, ABNT & ANSI;
  • Normas e regulamentos aplicáveis ao trabalho em altura;
  • Condutas em situações de emergência, incluindo noções de técnicas de resgate e de primeiros socorros;
  • Noções básicas de proteção contra quedas;
  • Análise de Risco e condições impeditivas;
  • Situações de risco ou perigosas;
  • Cálculo da Zona Livre de Queda;
  • Riscos potenciais inerentes ao trabalho em altura e medidas de prevenção e controle;
  • Estabelecer controles sobre os riscos identificados;
  • Pontos de Ancoragens;
  • Sistemas, equipamentos e procedimentos de proteção coletiva;
  • Inspecionar os sistemas de proteção contra quedas e reconhecer quando eles devem ser retirados de uso;
  • Equipamentos de Proteção para Trabalho em Altura e as Norma Técnicas aplicáveis;
  • Equipamentos de Proteção Individual para trabalho em altura: seleção, inspeção, conservação e limitação de uso;
  • Aplicação da NBR 16489 – Sistemas e equipamentos de proteção individual para trabalhos em altura

Enquanto a certificação é oferecida a partir da aprovação do participante nos exames teóricos e práticos do treinamento. Dessa forma, o aluno receberá certificado reconhecendo que atendeu ou excedeu os requisitos do MTE, OSHA, ANSI e CSA como Pessoa Competente. Ou seja, apto para planejar, organizar, supervisionar e executar trabalhos em altura e treinamentos conforme a NR 35.